Rio, 10 de janeiro de 2017

 

A Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (Rede TB) envolvida nas ações de assistência, ensino e pesquisa na área de TB desde 2001, por meio de seus sócios e parceiros: gestores, pesquisadores, profissionais de saúde, redes nacionais e internacionais de pesquisa, representantes do setor industrial nacional e comunitário, em resposta ao Plano Global de Eliminação da TB proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem realizado atividades conjuntas com o Programa Nacional de Controle da Tuberculose – PNCT/DEVIT/SVS/MS, na elaboração da

 

a) Agenda Nacional de Pesquisa em TB (finalizada em 2015 e publicada em fevereiro de 2016 - http://www.redetb.org/attachments/article/230/Paper%20Agenda%20Nac%20Pesq%20em%20TB%20%20Feb%2019-2016.pdf) e, juntamente com a Frente Parlamentar pela Luta contra a TB

  

b) do Plano Nacional de Pesquisa integrante ao Plano Nacional de Eliminação da TB

 

A Rede TB manifesta sua preocupação com o impacto negativo resultante da implantação da Resolução Tripartite, no. 8, exarada em 24 de novembro de 2016, que dispõe sobre o processo de pactuação interfederativa de indicadores para o período 2017-2021, relacionados às prioridades nacionais em saúde com os Municípios e os Estados. Na Resolução Tripartite no.8, a TB não consta como um dos indicadores. A retirada da TB como indicador de metas a serem pactuadas com municípios e Estados, proporcionará queda dos recursos financeiros e humanos voltados para as atividades de controle de TB, e por conseguinte ocorrerá uma piora expressiva dos indicadores epidemiológicos da TB.

 

Em nível global, estima-se que 49 milhões de vidas foram salvas por meio do diagnóstico e tratamento adequado da TB, entre 2000 e 2015. No entanto, apesar das ações de controle de TB realizadas nos países de alta carga, a incidência global de TB diminuiu lentamente, a uma taxa de 1,5% por ano, o que é insuficiente para erradicar a doença. Cerca de 10,4 milhões de pessoas ficaram doentes com TB e 1,8 milhões morreram da doença (incluindo 0,4 milhões entre pessoas com HIV), sendo que 95% das mortes por TB ocorreram em países de baixa e média renda. Estima-se que 480.000 pessoas apresentaram TB multirresistente (TB-MDR) e 10% deles, desenvolveram TB extensivamente resistente (XDR). Apenas 27% dos pacientes com TB-MDR/XDR receberam diagnóstico e tratamento adequado de acordo com o perfil de resistência aos fármacos. Além disso, em 2015, a TB passou a ser uma das 10 principais causas de morte em todo o mundo e a maior causa de mortalidade entre as doenças infecciosas, superando a infecção por HIV/Aids.

 

Reconhecendo estes desafios, a Assembléia Mundial da Saúde aprovou, em maio de 2014, a nova Estratégia de Eliminação da TB com um conjunto de metas. Posteriormente, estas metas foram incorporadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030. As metas incluem a redução dos óbitos por TB em 90% e a incidência de TB em 80% no período de 2015 a 2030, e até 2020, a eliminação dos custos catastróficos devidos à TB entre as famílias dos afetados. Para alcançar esses objetivos, foram incluídos 3 pilares de ações: Pilar 1 que foca na atenção e prevenção integradas centradas no paciente, Pilar 2 que consiste na adoção de políticas públicas ousados, com ênfase na proteção social das populações vulneráveis; e Pilar 3, caracterizado pela intensificação da pesquisa e inovação.

 

O pilar da pesquisa e inovação na Estratégia de Fim da TB deve priorizar a pesquisa por meio de um continuum que liga a pesquisa fundamental/translacional à descoberta e ao desenvolvimento de novos produtos (vacinas, medicamentos, insumos e estratégias de gestão) e, em a pesquisa operacional e do sistema de saúde que analisa o impacto da incorporação de novos produtos no sistema de saúde público e/ou privado.

 

A OMS considera como modelo a ser utilizado, as atividades desenvolvidas pela Rede TB em colaboração com o – PNCT/DEVIT/SVS/MS, nos últimos 15 anos, na qual tem-se buscado fortalecer um modelo organizacional de Redes de Pesquisa constituída por pesquisadores, gestores, profissionais de saúde de diferentes instituições e representantes da Sociedade Civil, que priorize a troca de conhecimentos, financiamentos comuns, protagonismo na ciência tecnologia e inovação por meio de uma estrutura orgânica de relacionamento

http://www.redetb.org/attachments/article/234/Rede%20Brasileira%20de%20Pesquisa%20em%20Tuberculose%20-%20REDE%20TB%20%20Port.pdf

 

Tal modelo foi aprovado em 16 de dezembro de 2016, em Nova Dehli, na reunião dos BRICS, onde a proposta brasileira foi considerada inovadora em nível internacional e passou a ser considerada estratégica para a Eliminação da TB em nível Global

 

Pelo acima exposto, consideramos de elevada relevância a revisão da Resolução Tripartite, no. 8, no intuito de que o Brasil possa cumprir os compromissos estabelecidos junto aos Organismos Internacionais e manter a sua liderança em atividades inovadores no combate a TB, que tem admoestado a humanidade há milênios

 

Atenciosamente

 

 

 

Afranio Kritski - Presidente da Rede TB /Prof Titular de Tisiologia e Pneumologia da Faculdade de Medicina da UFRJ

 

Julio Croda - Vice presidente da Rede TB / Prof Associado da Universidade Federal de Grande Dourados / Especialista em C&T&I da Fiocruz  Mato Grosso do Sul

 

Geneva, 21 December  2016 - In an effort to accelerate progress towards ending TB, WHO’s Global TB Programme (GTB)  has established the first Global TB Research Task Force.


The Task Force, comprising of 19 TB programme, research financing, technical, civil society and academic experts, chaired by Christine Sizemore, NIH/NIAID, met in Geneva from 8-9 December 2016. The goal was to identify strategies for WHO to promote and facilitate TB research, and speed-up translation of science ‘from bench to bedside’ to improve TB care and control at international and national levels. Drawing on both global and national research needs, the Task Force also advised on actions to address global funding for TB research and development in congruence with current global and national efforts.

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Neste momento de crise financeira e política que o país perpassa, e seguindo a recomendação do STAG (Conselho Deliberativo) da Organização Mundial da Saúde (OMS) no fortalecimento do Plano Global de Eliminação da Tuberculose (clique aqui e veja página 20, item 4), a incorporação do Pilar 3 (Pesquisa) nas ações dos Programas Nacionais de Controle de Tuberculose (PNCT) nos países de alta carga, somente será possível com a participação efetiva de Rede Nacional cooperativa de relacionamentos em pesquisa. A OMS considera como modelo a ser utilizado, as atividades desenvolvidas pela Rede Brasileira de Pesquisa em TB (Rede TB), nos últimos 15 anos, na qual pesquisadores da UFRJ, USP e Fiocruz tem exercido um papel protagonista, conforme mencionado por Carlos Basilia do Observatório Tuberculose Brasil em 08 de novembro de 2016 (clique aqui e veja).

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Apesar do significativo progresso da pesquisa científica relacionada à tuberculose (TB) e outras micobacterioses existentes no Brasil, no início do milénio, o país ainda experimentava uma frágil cooperação entre os diversos atores dessa área: indústria, universidades, institutos de pesquisa, sociedade civil, e serviços de saúde, incluindo o Programa Nacional de Controle da TB (PNCT). Em 2001, a REDE-TB foi criada como um grupo multidisciplinar de pesquisadores e estudantes brasileiros, tendo como parceiros a sociedade civil e representantes dos serviços de saúde que trabalhavam com TB e HIV/Aids em todo o país. A REDE-TB ajudou a construir as pontes necessárias entre estes diferentes atores para promover a pesquisa e atividades educativas de forma integrada. Recentemente, a REDE-TB elaborou o Plano Nacional de Pesquisa em TB. Identificaram-se lacunas e prioridades para as plataformas de pesquisa e inovação focadas nas demandas nacionais. Estas plataformas terão como base a integração da pesquisa básica/clínica/translacional com o parque industrial com vistas a agilizar a disponibilização de novas tecnologias e novas estratégias de gestão para o sistema de saúde. Estas tecnologias serão avaliadas em pesquisas operacionais no âmbito do sistema de saúde vigente no país para analisar seu impacto do ponto de vista individual e coletivo.

Ata de reunião: Incorporação do Pilar 3 da Estratégia Global pelo Fim da Tuberculose no Plano Nacional
Data: 23 de junho de 2016
Local: Brasília-DF, Ministério da Saúde
Participantes: lista de presença anexa
Objetivo: elencar estratégias para a incorporação do Pilar 3- “Intensificação da Pesquisa e Inovação” da Estratégia Global pelo Fim da Tuberculose no Plano Nacional.

Reunião DGITS - SCTIE - MS e Rede TB 

23 de junho de 2016 
8 andar prédio do MS, 
14h00 as 15h30 
Presentes - Clarice Alegre Petramale - Conitect e Afranio Kritski - Rede TB 
Afranio Kritski agradece a disponibilidade da Diretora do DGITS-SCTIE em receber a Rede TB. Como representante da Rede TB gostaria de trazer algumas informações sobre nossas atividades e acontecimentos recentes sobre o novo Plano Global de TB, aprovado pela Assembléia Mundial da Saúde em 2015, onde a Pesquisa passou a ser um dos 3 pilares na Eliminação da TB.

The Global End Tuberculosis (TB) Strategy, endorsed by the World Health Assembly in May 2014, aims to reduce TB deaths and incidence in all countries to levels currently observed in high-income countries. This can be achieved via reducing mortality, improving early diagnosis, providing more effective treatment, monitoring possible mycobacterial resistance, and expanding contact tracing and infection control(1) (2). The strategy is based on three pillars: integrated, patient-centered care and prevention (Pillar 1); bold policies and supportive systems  (Pillar 2); and intensified research and innovation (Pillar 3)(3). Achieving these ambitious goals within countries currently devastated by TB-in other words, whose citizens suffer significant morbidity and mortality from TB-will require substantial expansion of TB-related research (i.e., Pillar 3) within these countries(3) (4) (5).

Attachments:
Download this file (Agenda Nac Pesq em TB  Feb 19-2016.pdf)Brazilian Response to Global End TB Strategy[The National Tuberculosis Research Agenda]756 kB
Download this file (Paper Agenda Nac Pesq em TB  Feb 19-2016.pdf)Paper Agenda Nac Pesq em TB Feb 19-2016.pdf[ ]752 kB
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Sobre a Rede TB

A Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB) é uma Organização Não Governamental (ONG) de direito privado sem fins lucrativos, preocupada em auxiliar no desenvolvimento não só de novos medicamentos, novas vacinas, novos testes diagnósticos e novas estratégias de controle de TB, mas também na validação dessas inovações tecnológicas, antes de sua comercialização no país e/ou de sua implementação nos Programa de Controle de TB no País.


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